terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Certezas

Certeza, só a da tua pele

ser teso
(inteiro me rendo)
homenagens

Homens agem.
Hei de ser menos
ao me revelar a ti?

se te descubro
até sobrar apenas aquela certeza
- a da tua pele -
ainda assim
há sombras

além desta penumbra
assombram dúvidas
(que cem sóis queimem os panos da sedução)

incerto me embrenho
em nossas impurezas

certeza
só a alvura e a maciez
do teu corpo

a tua voz me amacia

o teu olhar
no mais das vezes
acaricia minhas chagas

porém (há sempre um porém)
cautela haja
com certas distâncias

refiro-me aos pequenos vãos

pelos magnéticos iguais
em atrito constante
enfastiam-se

certezas
só as do tempo

aferindo
pacificando

metrificando medos
desentranhando estranhezas

Racismo - Praga eterna?

Do Blog do Luis Nassif:
O racismo não cordial do brasileiro

Amores

crédito desconhecido

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Alto lá!

Alto lá!

baixa o tom,
um ou dois, ou mais

uma oitava completa,
a melhor medida

segura toda palavra

qualquer palavra
por segura que fosse
arriscar-se-ia

escorreria
gota ácida
a dissolver a paz

tenho os meus dias diamante
gentil, homem feito, balanceado

e também os de dinamite
bem sabes

pavio seco
meio centímetro
do anjo à extra fera

cuida bem dos teus olhares
visita meus limítrofes
dá conta de quantos calos me ferem

Alto lá!
Estou a um nada de me descaber

se coubesse música nestas horas
estaria acima do si, suspendido
quase em dó

appassionato...
tanto te arriscas...

a descer escalas por mim
aos graves dos meus silêncios
aos baixos dos meus temperos

Te cuida...
deixa que eu te proteja,
afasta-te dos meus desterros

Alto lá!
Esta noite é de lua negra.

Amores

crédito desconhecido

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Atento

tomo tento
atento

tomo vinho
tinto ou branco
para lubrificar pensares emperrados
gelatinizar olhares

aprendo
apreendo
empreendo

desisto muitas das vezes

prometi em amizade
(jura de lágrimas é jura de sangue)
abraçar, com fervor,
a minha tanta incoerência

fracassei muito
gosto amargo de fiascos
em minha garganta

mas tomo tento
concentro

junto palavras, lembranças e sem-tidos

nada como um bom analgésico
nas horas em que a mente aquece

choro, choro, e choro
e prometo tomar tento

nunca esqueço, porém, do acordo feito
(pacto com bom amigo
nem o de encruzilhada supera):
desanuviar, destentar, desatentar

sorver toda gota de minha incoerência

Para Julio Moretzsohn

Amores

Crédito desconhecido

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sumário

em suma
insumo

a bem de servir
células realinhadas
condenações reordenadas

em minúsculas entranhas
de seres quase nada
meio vida, metade morte

em suma
algo

a bem de informar
nada em especial
a minar as minhas alegrias hoje

Vislumbrei, apenas,
cri, em quase iluminar
(descrente sou):

ínfimas partículas minhas
íntimas pedrinhas de eu, Pedro
(pedra impolida),
liberadas de mim.

libertando minha brava e breve e rígida organização

alimentando mundos

em suma
insumo

em nada
tudo

Amores

Crédito desconhecido

sábado, 24 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vide o Verso

vide o verso
vinde o verso

ativa tuas narinas e pupilas

ao primeiro mofo interno
no tecido límpido da fronha
onde se deitam as tuas gentilezas

lava-te

ao primeiro naco de tecido puído
agarra uma linha
a primeira que alcançares

puxa com firmeza
e com toda a delicadeza
desvela o novelo

costura uma nova pele
firme
troca de superfície

só não te esqueça do verso

do reverso
do inverso
do avesso

vide o verso

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Preciso

tornar exato
nada mais preciso

buscar a justa medida
apenas para contorná-la

recortá-la

meus versos se encantando
mais e mais
pelo inútil, o desnecessário do exato

a necessidade, o básico: canos sob as ruas
água pobre
nada além do prometido...

um mais mais preciso
preciso, necessito

mais ar em meus pulmões
mais sangue em minhas feridas
mais saliva

a precisão do corpo sábio
preciso

Amores

José e Pilar
crédito desconhecido

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Menos...

Você não salvará a minha pele
mas pode afagá-la um pouco
e este é um pouco tudo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Distraído

Quantas horas já se me ofereceram
sem que eu a elas tivesse dado a necessária atenção?

Quantos minutos morreram
sem um íntegro olhar meu à pluralidade singular das coisas?

Quantos segundos passaram
vazios, desde que passei a fazer parte do conjunto dos tempos?

Quanto mais terei que perder e morrer
até me aperceber das horas, minutos e coisas
até não mais passar incólume
pelas vias dos fatos? 

Mimado

Não aceito contratempo algum
menino mimado

Neste campo minado
explodido em meu peito
ausculto estilhaços
de minhas paixões

Nesta bacia náufraga
aventada em meu ventre
afogam-se águas revoltas
revolve-se o vício da falta

fatiado
enfastiado
assaltam-me temores

terrores noturnos e diurnos

o vigia da noite
dorme de dia
e também à noite

o porteiro do dia
trancou a porta da casa
e jogou a chave na noite

o fora da gente é a superfície de um mundo
maior que o mundo do lado de fora da gente

do lado da gente, ninguém

Não aceito espera alguma
garoto afoito

afloram
defloram
floram aflitos
mudos gritos de êxtase
em meu aparelho fonotriturador

do lado de dentro
olho quietinho, alerta
pro mundo além dos dentes

Não aceito pouco algum
homem voraz
queria te morder agora

Rumo

Perdido o rumo
me aprumo
Perdido o prumo
arrumo
Perdido o sumo
me assumo perdidamente sem rumo

rumino, rumino, rumino
mastigo capim amargo
boi manso
boi magro
boi bobo

sonsoslaio, desejo
desejo tanto que esqueço
o início de tanto desejo

quis, consegui

outro querer
quis, persegui

outro mais querer
quis, não me quis

sem querer, desisto
com querer, insisto

aguardo as horas
os assuntos, os buracos, me embaralham

cartas na mesa
esperando o momento de desvelá-las
resvalando em minhas apostas
voam debandadas a um berro meu

repito o erro sabido

eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu
rumino

boi tonto
boi solto
perdido em tanto capim

bichão bichinho
rumino
sem rumo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Léxico amoroso

Amar
a.mar
vt, direto, indireto ou oculto, verbo transigente (lat amare) 1 Acolher 2 Aceitar 3 Arriscar(-se) 4 Confundir(-se): Quem ama o feio, o monstruoso poderá estar amando. 5 Iludir(-se): Amor eterno. 6 Delirar: Ama a Deus sobre todas as coisas! 7 Fazer sexo; rezar: Amaram-se biblicamente. Antônimo: desistir.

Amor
a.mor
sm, sf, transgênero, platônico ou plutônico (ingl love) 1 Altruísmo; entrega; compreensão 2 Auto-centrismo: Transbordavam de amor-próprio. 3 Amizade: Amor ao próximo. 3 Um dos sete pecados capitais: Amar ao próximo do próximo. Antônimo: covardia.

Amante
a.man.te
adj m+f_f+f_m+m (franc amant) 1 Aquele(s) que ousa(m) viver. 2 Diz-se, hodiernamente, dos loucos, tolos, insensatos, insanos, insantos, ingênuos e assemelhados. Antônimo: Descolado.

Nó(s)

à realidade da ficção
fui incapaz de adequar
a ficção da nossa realidade