de flor em flor, me reflorestou
de cor em cor, me redecorou
desmaios nos matos de maio
reciclos na vida de junho
amor armou
aonde for, eu fico
aonde flor, eu bico
a cor de amor
se vai vario
se vem sorrio
acordo maior
de um inverno a sempre
me armarraflou
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Pre-oculpado
lembranças futuras me assombram
pelejo pesadelos
mastigo dentes
seco saliva
almoço esôfago
janto estômago
cerco a morte, o torpe, o corte
perco o norte, a sorte, a corte
Pre-oculpado
lembranças futuras me assombram
pelejo pesadelos
mastigo dentes
seco saliva
almoço esôfago
janto estômago
cerco a morte, o torpe, o corte
perco o norte, a sorte, a corte
pelejo pesadelos
mastigo dentes
seco saliva
almoço esôfago
janto estômago
cerco a morte, o torpe, o corte
perco o norte, a sorte, a corte
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Recomeço
o fim de uma era, ela
um recomeço
um arremesso
ao esquecido viço
vistosa hera
frondes fartas
onde escondo meus an-
seios
esfinge bela
misteriosa vinha
veio, vimos, e agora
ela é minha
Confessório
Um ruído de fundo
me afunda
uma interferência
uma imensa reticência
em minha frágeis alegrias
como se ainda sobrassem detritos
nos restritos espaços de meus dentes
da maçã original
como se meus delitos me alçassem
ao lugar vago na cruz
do criminoso perdoado
um nó que apertasse a alma
um pó que descolorisse a minha visão
como se o perdão não houvesse
ou mesmo a salvação no amor
como se ao sorriso de minha escolhida
não fosse permitido enxugar o sangue
de minhas mágoas
há remédios?
sábado, 5 de janeiro de 2013
Papel de guardanapo
em
momentos alguns entardeço
há dias
de meus sonhos dormirem
me
inverno em pleno verão
anoiteço
desdesenho
desdesejo
em
momentos alguns preciso
encontrar
milagres em papéis de guardanapo
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
A cordinha do bonde
Um palpitar cardíaco exato a vibrar músculos em uma cadência impar. Clichê sem regras. Colo, solo, asas, casa e mundo. Um afeto imenso nas horas de ódio. Ouvir, silente, pensamentos por acidente escapados em palavras.
Puxar em desespero a cordinha de parada quando alguém saltou do bonde de sua estória. Isto, meu senhor, é o amor.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Doces
aqui se faz
aqui se afaga
confeito afetos
te faço doces
um de leite, um sonho
um bombom bom bocado
um a cada mês
nosso
amanheço
calado colado
ao lado do teu lado
amado
feliz
simples
assim
Para Dani
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Fatídico
o mundo
treme
almas
vestidas
de carne
temem
medos
procriam
ódios
o mal mal disfarçado em cada rosto
revela o gosto
do desgosto
por sermos de carne
por temermos
por odiarmos
por tremermos
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Cupido
Acaso um cupido desvairado
cravasse sete bilhões de setas
em sete bilhões de corações desavisados
de cada humano ser aqui vivente
deste pequeno grande mundo
bela bola d'água Terra
em que mais se ocupariam
as línguas lúgubres
as falas fel
os verbos vil
ao verificarem consternados
o absoluto obsoletismo
do medo matinal
do vazio vespertino
da náusea noturnal?
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Inteiro
Sem porém ou talvez,
nem ou ou se,
sem antes ontem,
daqui a pouco, não,
amanhã, muito menos,
sem menos nem mais,
sem tirar, nem dor,
nem tanto ao mar,
nem outras terras,
sem reticências...
a precisão de dois pontos:
eu você agora
e ponto.
Para Daniela
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Voyeur
simbiótico
enxergo sua ótica
imito seus dentes
faço suas minhas palavras
creio nas virtudes alheias
vivo em terceira pessoa
sofro as misérias dele
sinto os desejos dela
morro em suas veias
amniótico
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Se eu fosse francês
Talvez, se eu fosse francês
e chamasse o mar de a mar
amaria não as calmarias
mas sim as tormentas
de seus olhos
profundos
negros
cor de oceano.
negros
cor de oceano.
domingo, 8 de julho de 2012
Perspectivas
a montanha flutuou graciosa
e foi descansar
nas garras do ser alado
o menino esperado
ao nascer
deu a luz à sua mãe
o mundo amanheceu
e reconfortou
o sol
sua pele cedeu carícias
a meus dedos
às minhas mãos
terça-feira, 3 de julho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Elos
Pesado elo
ai de quem cair no canal do mangue
ai de quem!
a alma à lama
tons de cinza
nenhum repouso
para os olhos
chuvas de chumbo
Virações
a moça derrete
em poça
a poça resseca
em roça
a roça verdeja
em moça
Ritos
ai de quem cair na poça
e não pensar na moça
e não roçar os dedos
nos cabelos da chuva
nas sedas
ai daquele que não votar carícias
às rédeas dos cavalos
aos freios-de-mão
os desejos têm seus ritos
estritos passos
Ciclos
no sangue preto
do canal do mangue
esbarravam-se às cegas
as moscas de chumbo
dos desejos
domingo, 13 de maio de 2012
Eu, meu
hoje, esvaziado de sentidos
pretendia jogar ao mundo
palavras do meu eu mais profundo
que me preenchessem
que me esvaziassem da angústia
porém, admoestado por um poeta amigo
percebi o perigo
de transformar meus versos
em um muro íntimo de lamentações
eu, meu, eu, meu
hoje, em resposta a outro artista
este um tanto sem tato
não vesti os trapos
de um pobre coitadinho
com trajes de profeta
e olhos de sábio poeta
quis revelar os outros
quis reler as vidas
falho
mais de poema e meio andado
me traio
auto falo
falo ereto
amo solitário em praça púbica
meus ínfimos dissabores
sonso egoísta
eu, meu, eu, meu
me perdoem bardo solidário
e meu irmão inquieto
nada acrescento, hoje
ao saber ou fazer dos homens
escrevo traças
não entrego
um pingo de alívio
às melancolias alheias
continuo poetando em mim
eu, meu, eu, meu
sábado, 28 de abril de 2012
Script original
e há aquela hora em que
qualquer papel
não mais se lhe ajusta
para a justa medida
não se encontra régua
para as dores de um parto
em que não me acho
nunca se renderá trégua
não mais me reconheço
nisto que por enquanto é o fim
ou em esquecido começo
?o que é meu, ?a quem me entrego
?a que me devo, ?ao que renego
intrincadas questões
respostas fugidias
responderei por mim, então
e com um isqueiro, um maçarico
duas pedras ou um fósforo
lanço chamas
voam aos ares
as letras míudas
de um contrato esmaecido
palavras de ordem flutuam
fumegantes balões desorientados
frases defeitas
desfeitas em cinzas
e resta o nada
e agora posso
conjugar novos verbos
reverberar outros sentidos
com palavras órfãs
recriar o alfa e o resto
e há aquela hora
em que o único papel
em que se lhe ajusta
é o feito das fibras
retiradas da própria pele
com pautas arrancadas dos músculos
e há aquela hora, enfim
em que se nega
a conhecer Eva
a mordiscar a polpa da fruta fácil
e me despeço
livre de meus pecados
do script original
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Triste
hoje estou triste
irremediavelmente triste
amargo
indocilmente amargo
e não há sorriso aberto
palavra de um bom amigo
ou natureza que se desdobre
em luas cheias ou céus de estrelas
que me dissolva essa tristeza
hoje estou descarregado do amor
anseia
meu coração,
meu corpo inteiro,
criar
couraças
carapaças, catapultas, carrancas
que me arranquem
qualquer espécie de bem-querer
ou de paixão
pois em instante despercebido
nos aprisionam
em redemoinhos de contentamento
em espirais de prazer
para, após, sem prévio aviso
nos arremessar com truculência
na áspera parede da realidade
hoje, todas as mulheres que amei
e todas as que me amaram
se deitam com seus homens
no exato instante
em que invento
esta ode ao desarmor
à desalegria
hoje estou triste
imponderavelmente triste
e a esperança, se há
é quando digo hoje
é quando escrevo estou
o depois, o ser
são os mistérios
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Sextas-feiras tantas
Sempre busquei a salvação em mim.
Nunca acreditei nos milagres dos outros.
Mas às vezes me distraio
e me permito receber as bençãos
de um copo de cerveja
de um corpo de mulher.
Juízo
Todas as perdas
todos os danos
todos os males
todos enganos
me atribuo culpa.
Mas que árbitro é este
que tenho-sou?
Abonando o mundo,
me sentenciando.
Já não paguei as minhas dúvidas,
não quitei as minhas dívidas,
não dividi o meu corpo
em zonas de dores?
Que venha a bonança,
inventadas paixões,
pequenas alegrias.
Minha alma me oferta perdão.
Que o severo juízo
deste juiz ancestral
me conceda benesses.
Um habeas-cor
um habeas-paz
um novo amor.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Tarja Preta
O espanto de orelha a orelha.
Medicamento controlado.
O pranto:
de centelha à queda-d'água,
de pavio a afogamento,
um segundo.
Vendido com retenção da receita.
Os olhos espessos
medem os medos do mundo.
Os poros exalam ódio,
os dedos se curvam inglórios.
Persistindo os sintomas, procure um médico.
Bastaria a glória
de estar cem por certo vivo.
Esta substância pode causar dependência.
Sexo
Um velho moço,
de certa idade avançada,
avançando seus olhos às moças,
bundas, pernas e coxas,
de vez em quando, se indaga:
“meu deus, para que tanta carne?”.
Não tem pudores em excesso,
lascividades, tampouco.
Mas eis que este moço velho,
de incerta idade indevida,
enfim descobre:
o sexo não é mero anexo
de um corpo incompreendido,
ainda na lida, ainda com vida.
terça-feira, 3 de abril de 2012
sábado, 24 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
?
Busco a aptidão da palavra
o que nela aprende
o que nela estraga
a palavra livre
a palavra escrava
a que me prende
a que me eleva
e me destrava
a palavra mãe
e a amarga
a que me define
a que me salva
preciso descobrir
as palavras que me esmagam
para, conhecendo-as, despalavrá-las
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
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